9 de junho de 2015

Uma jeca de São Paulo :: você já tomou Cajuína?

Tá, podem me chamar de jeca, mas eu nunca tinha tomado cajuína. Pra falar a verdade, nunca tinha achado a bebida pra comprar, e nem experimentei quando visitei o Nordeste do Brasil, onde ela é mais difundida. 

Aqui em SP deve ter pra vender nas muitas casas de produtos nordestinos espalhadas pela cidade mas confesso que nunca entrei em uma casa do Norte pra procurar cajuína. Sempre que vou, é pra comprar outras coisas, e não me lembro de procurar a bebida, mesmo tendo muita curiosidade em provar do seu gosto.

Mas eis que estava perambulando por um mercado de bairro, desses que é versão mini dos grandes hipermercados, e dei de cara com a garrafinha sonhada.

Por pouco mais de R$ 8, levei pra casa e provei. Vamos aos fatos: é bem forte pro meu paladar, mas o gosto é ótimo, puro caju, obviamente. Como é muito forte, não dá pra tomar muito de uma vez porque enjoa, então é melhor que se consuma acompanhada, porque a garrafinha tem que secar logo, já que a bebida dura apenas 3 dias após aberta, e em refrigeração, segundo o rótulo (por mim dura mais, porque tá lá na minha geladeira há uma semana e continua com cor linda e cheiro e gosto agradáveis). O preço é justo, já que a bebida, de tão forte, deve usar váaarios frutos pra ser preparada. E por fim, cajuína é tão a cara do Caetano, que dá até vontade de dormir com a garrafinha na mesinha de cabeceira (quem leu meu post de ontem, sabe que tô apaixonada por Caetano).

Então amados amigos jecas de São Paulo, na minha casa tem, tá? São meus convidados! ;)


E por falar em Caetano, em cajuína e em paixão, olha que história mais linda tem a letra da música Cajuína, composta em 1979. Até aperta o peito...

A partir do próximo parágrafo o texto não é mais meu. Foi copiado desse link e colado aqui. A quem interessar, o próprio Caetano conta essa história, em um vídeo que pode ser visto clicando aqui.

É interessantíssimo o contexto por trás da letra de “Cajuína”, de Caetano Veloso, música que ele gravou em 1979 e é uma das melhores do seu disco “Cinema Transcendental”. 

É uma pequena canção (xote) que para muitos não tem sentido algum. Pois tem e muito! Tanto para o compositor quanto pra família do jornalista, escritor e poeta Torquato Neto. Ele era piauiense, filho do Dr. Heli da Rocha Nunes, que foi advogado de oficio e militante espírita em Teresina, tendo desencarnado em 2010, aos 97 anos de idade. 

Torquato foi um dos grandes poetas da Tropicália e cometeu suicídio em 1972, abrindo o gás e fechando as janelas do seu apartamento no Rio de Janeiro. Era casado e tinha um filho. Essa tragédia foi que motivou Caetano à composição desta música. Ela é muito sugestiva porque questiona o problema ou mesmo o drama do existir, interrogando desta forma a quem souber responder: “existirmos – a que será que se destina?”

O jornalista, poeta e escritor piauiense Paulo José Cunha, sobrinho do Dr. Heli Nunes, pai do poeta falecido (um dia após completar 28 anos), esclarece melhor:

“Caetano havia chegado a Teresina para um show, estava muito triste. Retornava pela primeira vez à cidade onde havia nascido um de seus principais parceiros na Tropicália e seu grande amigo, o poeta Torquato Neto, meu primo, que havia se suicidado em 1972. Caetano procurou Tio Heli, pai de Torquato. Já se conheciam do tempo em que Tio Heli ia a Salvador ver Torquato, que estudava na mesma escola de Caetano. Levou Caetano pra casa, serviu-lhe uma cajuína, e procurou consolá-lo, pois Caetano chorava muito, convulsivamente. Em determinado instante, Tio Heli saiu da sala e foi ao jardim, onde colheu uma rosa-menina, que deu a Caetano. Ali mesmo os versos de Cajuína começaram a surgir, entre antigas fotos do menino Torquato, penduradas pelas paredes.” 

Um comentário:

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