15 de abril de 2015

São Coltrane do Jazz

Fortemente influenciado por religiões africanas, indianas e até pelo candomblé, "A Love Supreme", álbum lançado por John Coltrane em 1965, é uma das obras máximas do jazz e objeto de adoração entre críticos e estudiosos do estilo. Na Igreja Africana Ortodoxa de St. John William Coltrane, em São Francisco, Califórnia, o álbum é um pouco mais do que isso.

Trata-se de uma obra com pouco mais de 30 minutos, divididos em quatro temas: "Acknowledgement", "Resolution", "Pursuance" e "Psalm" (em português: "Reconhecimento", "Resolução", "Busca" e "Salmo").

Na leitura que o reverendo Haqq faz de cada faixa do disco, a obra-prima do saxofonista "é uma fórmula para o alcance espiritual". "É o reconhecimento de Deus, a resolução em dedicar nossas vidas ao serviço de Deus e ao povo de Deus, a busca por tudo isso até o fim. E a alegria e a oração do Salmo para elevar-nos ao estado do amor supremo". Trocando em miúdos, a obra faz as vezes do Evangelho nesta igreja.

Mas não se trata unicamente do alcance espiritual que a música de Coltrane proporciona. Na Igreja de São Francisco, Coltrane é o próprio Moisés. Dá uma olhada na ilustração do Templo.

Lá, o músico é mostrado em uma tela grande, devidamente santificado: na mão direita, ele segura uma escritura, na esquerda, seu saxofone tenor, de onde saem chamas divinas.

Bem melhor que aqui, né, onde um cara de chapéu de boiadeiro vende as meias de Jesus, por R$ 153,00 - o par, que fique claro! - e o povo todo leva o símbolo pra casa como objeto de adoração e fé. Só uma dúvida: os registros não indicam que Jesus andava de sandálias? 

Gostei mais da versão de São Francisco: prefiro alcançar o divino ouvindo Coltrane do que calçando as meias de Jesus.


2 comentários:

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