17 de março de 2015

A boa ajuda de John Lennon no resgate do meu "Anarquistas Graças a Deus"

Estávamos nós, comadres noveleiras que somos, no nosso grupo de jornalistas do Whatsap no maior papo calcinha e eis que em dado momento uma de nós posta a foto do casal Lennon e Yoko Ono, nus, lamentando a bundica de grilo da moça. Convenhamos, com o marido que ela tinha, não precisa nem de bunda, nem de nada... 

Mas voltemos aos fatos.

Uma outra integrante desse nosso grupo saiu em defesa dos atributos físicos do casal, dizendo que aquela foto estava distorcida e que além disso, de frente, a história era outra (beeeeeeeeeem outra). A defesa engrossou, baseada na "boa forma física" de John Lennon. Imagine cinco mulheres conversando e tire suas conclusões sobre a expressão "boa forma física".

Então, para acalorar o debate, a amiga em questão foi procurar seu exemplar da revista Rolling Stones, a fim de postar a foto que acabaria com a má impressão que a bunda de gaveta da Yoko Ono tinha nos causado (e aproveitar para conferir se sua defesa era justa). Mas daí eis que nessa procura, olha só o que ela achou: meu exemplar de Anarquistas Graças a Deus (Zélia Gattai), livro que já li duas vezes e que quero ler de novo.


Revirei minha casa, a casa da minha mãe, armários, becos, frestas e caixas. Nada! Achei que, pelo mau estado do livro (o que eu considero bonito, porque gosto dos livros manuseados), minha mãe já tinha dado cabo dele. Então mesmo contrariada, porque queria esse exemplar, especificamente, ampliei minha procura e corri livrarias e sebos. Nada também! Nem por encomenda. Já havia desistido.

Claro, sempre há o recurso de ler pela internet, mas eu não gosto nadinha... Eu gosto de sentir o livro, pegar, sentir o cheiro, ter. Na internet, nem procurei baixá-lo. Realmente havia desistido.

Mas agora ele está de novo entre os meus, e já já retomo essa leitura, porque nesse momento ando ocupada com "A Estrutura das Revoluções Científicas" (Thomas S. Kuhn). À propósito, alguém viu o meu "Evangelho segundo Jesus Cristo" (José Saramago)? Ele está na minha lista de releituras, se eu o encontrar.

Ah, antes de ir, pra quem ficou curioso sobre as fotos frente e verso do casal, não precisa correr pro Google. Posto aqui! Se bem que no Googlee tem a versão sem tarjas... rsrsrsrs

16 de março de 2015

Nando Cordel :: música a serviço da espiritualidade

Na última sexta-feira levei meu pai para um tratamento espiritual. Chegamos lá de madrugada ainda, fizemos ficha, e esperamos. Esta não é a mesma casa de orações que eu frequento e então observei atentamente os costumes do lugar, novo pra mim. Enquanto aguardávamos a palestra, o salão, com capacidade para 500 pessoas, lotou. Soube que aos sábados esse número triplica, e fica gente do lado de fora, ouvindo pelas janelas, portas e outras frestas.

Ao chegar ao local, já me senti profundamente emocionada, sensível, com aquela vontade de chororô que não passava. Então, eis que a palesta começou, e naquele dia, fomos presenteados com a presença de Nando Cordel - que foi o palestrante da manhã.

Você conhece Nando Cordel? 


Eu conheço muitas de suas músicas (De volta pro aconchego, Gostoso demais, Isso aqui tá bom demais) nas vozes de Alceu Valença, Amelinha, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Dominguinhos e tantos outros, mas nunca o tinha visto tocar. E lá, ele tocou... Não só o seu violão, mas tocou nossos corações, contando sua experiência com o espiritismo e como isso mudou a sua vida. 

Hoje, Nando Cordel faz palestras sobre o assunto, mantém idosos e crianças sob seus cuidados, e realiza o lindo trabalho de "musicar" o Evangelho. É renovador. Gravei só um trechinho de nada, porque afinal estava em uma Casa de Orações, mas tem muita coisa desse lado dele na internet. "Paz pela paz", por exemplo, é utilizada em campanhas até no Chile. 

O vídeo a seguir é o que gravei dele, lá na Casa. Bem curtinho, pq aqui a intenção não é mostrar o meu vídeo, e sim contar sobre esse trabalho de musicar o Evangelho. Linda iniciativa...

9 de março de 2015

Resolvendo um probleminha técnico nos armários da minha cozinha

Desde antes de receber as chaves do meu apartamento eu já namorava os móveis da minha cozinha, . Sou verdadeiramente apaixonada por eles. Mas, como se pode ver nas fotos, todas as portas, de todos os armários, são de vidro.


Isso me fez acelerar um pouco o projeto de trocar todas as minhas louças por porcelana branca mas, apesar de já ter conseguido substituir boa parte, algumas peças que não são brancas ainda estão por lá, ou porque não pude trocar ainda, ou porque simplesmente não existem brancas, como copos, por exemplo (os de porcelana parecem canecas!!).

Além disso, tenho que guardar os mantimentos, panelas, liquidificador... Uma porção de coisas que eu não gostaria que ficassem aparecendo pelos vidros, mas que precisam ficar na cozinha.

Já tinha resolvido o problema dos armários que ficam em cima da pia e em cima da bancada de refeições. Nestes, minha louça já é branca e do meu gosto.



Mas os armários de torre ainda estavam me deixando contrariada. Não gosto de bagunça, ainda mais aparente, e aquela louçarada toda desproporcional não estava bem ali. Então solucionei isso colocando cestos nos compartimentos do armário, e agora tudo o que eu "não quero ver" está dentro deles. Ainda não é a solução ideal, porque os cestos ficaram baixos pra altura desses compartimentos, mas vou substituí-los por maiores.

antes                                                      depois

antes

depois


E pra completar o mimo que meu armário ganhou, instalei uma luminariazinha no teto de um dos compartimentos, pra dar charme. Ficou fofo, barato (16,00, na Multicoisas, autoadesiva), e fica numa altura onde só a luz aparece, o aparelho fica abaixo do nível dos olhos.



Antes dos cestos, eu estava bem inclinada a utilizar outra técnica para esconder minha louça, mas ando pensando se não é muita informação pra uma cozinha só, já que meu espaço é pequeno, uso um tapete grande do qual não quero abrir mão e ainda por cima, tenho uma cortinha bem estampada cobrindo minha pia, como podem reparar nas duas primeiras fotos deste post. 

De qualquer forma, essa ideia ainda povoa meus pensamentos, e talvez eu tente pra ver como fica, já que a remoção dos resíduos do vidro é fácil, fácil, caso eu não goste... Se eu fizer, depois mostro aqui.

De qualquer forma, vou compartilhar o que foi feito e postado no site annabelvita.com.




5 de março de 2015

Take a walk on the wild side


Atire a primeira pedra quem nunca pensou ser frescura o que uma pessoa depressiva relatava em seus lamentos. Eu já pensei. Mas daí, há quase 4 anos, mais ou menos, fui diagnosticada com a doença e então estive do outro lado da linha. Só assim pude entender o que era, de fato, a depressão.

Junto com o diagnóstico de depressão, veio o da Síndrome do Pânico. Hoje, finalmente, recebi a alta dos medicamentos que tomo. Não é uma alta total porque essa só vem depois de muito tempo de tratamento. Mas quando os comprimidos deixam de ser diários e passam a ser semanais, a pessoa já é considerada curada e tem a chamada alta parcial medicamentosa.

Nesse meio tempo, as doses passaram de diárias para dia-sim, dia-não, e depois foram tomadas de 3 em três dias. É um processo longo, a gente passa por recaídas, sofre à beça... Mas se salva. E quando nos livramos de seus sintomas, percebemos que nos livramos também da incapacidade de dizer "não". É, de fato, uma libertação!

Embora agora eu seja feliz, minha felicidade certamente não é a propagada pelos filmes de Hollywood ou os comerciais de margarina, nem aquela vivida pelas protagonistas de romances americanos. Eu realmente gostaria de ser a mocinha de algum romance desses, triste agora e feliz no parágrafo seguinte - e para sempre! - como só os americanos sabem ser, mas acontece que não é assim. A vida real, reproduzida em tramas populares, não é assim, mas a gente aprende a não promover um exagero dos fatos e de suas causas.

E então, do outro lado, a gente aprende também que isso é que é o normal, e que praticamente todo mundo vive assim: um dia de cada vez. E a gente aprende a valorizar pequenas coisas. E a gente aprende a ser feliz acompanhada, e sozinha, e acompanhada de novo... E a gente aprende que é possível se curar, mesmo quando a perspectiva dos piores dias dessa fase nos faça acreditar no contrário.

Mas a cura depende desse aprendizado?

Não. Pelo menos na fase da doença em que eu cheguei antes de iniciar o tratamento, não. É preciso outro recurso. O medicamento tem que ser ministrado porque, segundo o médico que me acompanhou, chega uma hora em que, apesar de os motivos que nos levam à depressão serem fatores externos, os sintomas são físicos e químicos.
Ele me explicou que a angústia que a depressão causa bloqueia a produção de uma enzima responsável pelo bem estar e que essa reposição tem que ser química, portanto, com medicamentos. Claro que ele me falou tudo isso de um jeito mais técnico, mas em suma, é isso.
Ouço relatos de pessoas avessas à medicação. Eu também era. Mas dito desse jeito, como o médico me disse, a coisa fez todo o sentido pra mim.

As fases da crise

No início era só cansaço. Depois eu achava que tinha algo no coração. Minha impressão era a de que o meu coração estava solto dentro do meu corpo, e que ele balançava dentro da caixa toráxica. Veio a indisposição, a falta de vontade de levantar da cama, a falta de concentração, e a falta de vontade de abrir as janelas, de ficar no escuro o tempo todo. Até a posição de dormir muda. A gente tenta se proteger, dorme encolhida, sente dores.
Então, chega o pico da coisa. A fase em que a gente não consegue mais respirar. É como se todas as costelas apertassem nossos pulmões, como se o ar não coubesse mais na gente. A gente tem a sensação de que aquele corpo que se desespera não é nosso. Essa dificuldade em respirar é tanta que mesmo que você puxe todo o ar que conseguir, seus pulmões não enchem. Nesse estágio, uma dor bem pontual no peito, entre o colo e o seio esquerdo, me incomodava quase que constantemente. Não é uma dor lancinante, como se algo me perfurasse e me causasse pontadas. É uma coisa que começa na pele e vai atravessando o corpo até chegar nas costas. Quando eu tentava explicar, era como se eu enxergasse um fio que liga o peito e as costas por dentro do corpo, e por onde essa dor passa.
Sem dramas, despida do medo de ser julgada, eu conto aqui o que eu pensava todos os dias nesse período: quando estamos doentes, rezamos pra sarar; quando estamos com depressão, rezamos pra morrer.
Parece terrível né? E é! Mas eu me lembrava todos os dias da minha primeira consulta e do que meu médico me disse. "Patrícia, tenho certeza de que o que você sente é dolorido e difícil de administrar, mas confie. Eu garanto que você vai sarar".
Não sei o que essa frase foi capaz de fazer dentro da minha cabeça, mas ela me ajudou todos os dias, durante os últimos 4 anos. #grata #gratíssima #graterérrima.

A cura

Como já disse em algum lugar aí pra cima, a cura é lenta. Temos recaídas. Temos dias melhores em que achamos que podemos deixar os remédios (daí ferra!!! rsrsrs...). Temos pouco apoio porque as pessoas não reconhecem em seu estado, uma doença. Então, o processo é todo meio solitário. Mas acredite, ele chega ao fim!
Aquilo que doía acabou. Me sinto feliz, sem medos, sem traumas e sem dores (só nos joanetes! rsrs).