7 de agosto de 2014

Vamos ver, colegas jornalistas?

Tenho pensado bastante no comportamento do jornalismo brasileiro. Claro que a postura dos órgãos de imprensa não é e nunca foi parcial, como preconiza o manual da profissão, mas meus questionamentos são mais recentes e ficam mais aguçados na medida em que vou amadurecendo na profissão. Algumas vezes já critiquei a prática da jornalista Rachel Shererazade, que para mim é o oposto do jornalismo. Já critiquei as discretas levantadas de sobrancelha do Bonner, que demonstra parcialidade; e que também foge à cartilha.

À exemplo desses mais populares, outros cometem os mesmos pecados - com mais, ou menos intensidade - mas cometem. O que dá um medinho é a contaminação do vício, que parece ter sido defendida pelo consumidor da notícia, quando se vê, por exemplo, a bandeira de certas posturas levantadas em nome da "liberdade de expressão". Pra mim, balela!! 

E então a estreia de "O Mercado de Notícias", produção da Casa de Cinema de Porto Alegre, veio a calhar. Já havia lido algo a respeito em abril, quando o documentário estrelou o 19º Festival Internacional de Documentários "É Tudo Verdade", que aconteceu em São Paulo e cujas duas únicas sessões foram exibidas no Cine Livraria Cultura.

Hoje, o filme tem estreia nacional, e me surge como um convite interessante e irresistível. Após a foto, reproduzo um texto retirado da rede. 


"Sempre muito original, o cineasta Jorge Furtado “Saneamento Básico: O Filme”) foi buscar numa peça teatral da Inglaterra elisabetana do século 17 um paralelo para estabelecer uma perspectiva histórica para a aguçada discussão sobre critérios, falhas e importância da imprensa no Brasil em seu novo documentário, “O Mercado de Notícias”. 

O filme estreia em dez cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Salvador, João Pessoa, Santos e Juiz de Fora. 

O documentário debate a própria essência do jornalismo, ou seja, a obrigação de escolher o que publica ou não, o que cobre ou não, a necessidade de encontrar a novidade, de revelar histórias, equilibrando essa urgência com outra, não menos crucial: a da própria sobrevivência econômica e comercial. 

Um aspecto que leva alguns a apostarem no sensacionalismo e, em última análise, no antijornalismo, para garantir altas tiragens e grandes receitas publicitárias. 

Há uma indiscutível atualidade na discussão proposta por “O Mercado de Notícias” no Brasil atual, em que a imprensa tantas vezes pauta o debate político. Sempre foi assim? Depoimentos lembram que, até o golpe de 1964, havia uma identificação entre jornais e partidos – cada um tinha o seu. 

Depois, praticamente todos se unem na resistência ao regime autoritário, que finalmente atingiu os interesses gerais, pela censura. Depois da redemocratização, em 1985, tornam-se não raro, muito conservadores. 

Diretor da revista “Carta Capital”, o veterano Mino Carta não se esquiva de definir: “A mídia brasileira é um partido político”. E o que é pior, não se aceita como agente político, escondendo-se por trás de uma suposta isenção, ao mesmo tempo em que elege escândalos e personagens a quem crucificar impiedosamente e outros de quem oculta ou relativiza os pecados. 

Menciona-se ainda outras mazelas, como erros crassos e trágicos - sendo o caso da Escola Base o maior da memória recente, talvez. Outros são lembrados: o “quadro de Picasso”, denunciado numa repartição do INSS, que não passava de um pôster, desses que se compram em qualquer museu; e a famosa “bolinha de papel” da última campanha presidencial do candidato José Serra. 

Se tivesse sido feito mais recentemente, certamente o documentário poderia incluir a cobertura catastrofista que precedeu a Copa do Mundo. 

Saindo de um modelo de documentário dependente exclusivamente de entrevistas, Furtado intercala as conversas com treze experientes jornalistas brasileiros com trechos de uma encenação da própria peça, a partir de uma tradução feita por ele mesmo e pela professora Liziane Kugland. 

O recurso permite uma certa leveza, porque permite a inserção de comentários cínicos pertinentes aos tópicos em debate. 

Para quem, no fim de contas, tiver a impressão de que Furtado é contra o jornalismo, ele mesmo contra-argumenta, defendendo, no material de divulgação, que seu filme é “uma defesa do bom jornalismo, sem o qual não há democracia”.

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