4 de fevereiro de 2013

Sobre reconhecer e tentar mudar

"Ei dor, eu não te escuto mais. Você não me leva a nada"

Acordei cantarolando essa música. Depois lí um comentário deixado no blog por um amigo. Mais tarde, mas não muito, olhei pela mesma janela que olho todos os dias enquanto estou na redação do jornal onde trabalho e fiquei pensando na paisagem que eu vejo, o dia todo, 4 dias por semana.


Eu vejo esse cenário sempre, mas hoje pensei nisso de um jeito diferente porque lembrei de uma foto que tirei em Cambury, esse fim de semana. Da janela do quarto, era isso que eu via...


E então fica impossível não pensar em como a gente perde tempo sentindo dores que não deveríamos sentir, lamentando perdas que não deveríamos lamentar, sofrendo por situações que não deveríamos sofrer. Eu sou uma pessoa bem sensível, sofro demais com situações até banais. Mas eu não sou triste. O problema é que eu sinto as coisas com muita intensidade (coisas boas e coisas ruins). Essa sensibilidade toda não é boa, me atrapalha.

Isso se intensificou de um tempo pra cá, mas a verdade é que eu sempre fui um paradoxo. Sou bem alegre, sempre fui, e sou bem chorona, sempre fui... Mas, olhando hoje a mesma grade e o mesmo muro, pensei no quanto eu posso desfrutar da paisagem anterior, por ano, por exemplo.

Pensei em quanto eu posso desfrutar das companhias que estavam lá comigo, com tempo de qualidade.

Pensei em quanto eu, como todo mundo, tem de se esforçar para extrair o melhor dos dias, como se eles fossem o último da nossa vida, porque um dia vai ser mesmo.

E usando a mesma frase que costumo usar sempre - é melhor ser feliz do que ter razão - pensei em coisas que a gente não deve dizer porque simplesmente não acrescentam nada nem a quem fala e nem a quem ouve, e ainda por cima causam aborrecimentos.

Minha conclusão, óbvia que é, é que eu deveria tomar menos sopa e mais sorvete. Em outras palavras, me arrependo de não ter aproveitado mais as duas pessoas de quem eu gosto tanto, tanto, tanto no fim de semana. Deveria ter feito guerras só de catchup, de travesseiros ou de cócegas... Aproveitado mais dos risos, dos cheiros, das companhias...

Isso se falar só do fim de semana, mas é claro que eu, enquanto escrevo esse texto, já viajei no tempo e pensei em todos os passeios que a gente não faz com o filho, todos os banhos de mangueira que não toma, todos os tombos de skate que não leva...

É em momentos assim, de rara lucidez acerca do tempo que não volta, que nos prometemos mudar. Hoje eu me prometi tentar perder menos tempo com rabujices e choramingos. Vou tentar... 

4 comentários:

  1. Olha...posso te dizer que o que vc escreveu serviu muito para mim hoje! Ontem meu filho pediu duas coisas que vc citou para mim...e eu disse que não podia. E então seu texto me fez analisar e ver como a gente deixa passar coisas muito importantes.
    Obrigada por este post! Parabéns pela reflexão certíssima!
    Beijos e uma ótima semana, cheia de paz e amor!
    CamomilaRosa

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    Respostas
    1. Que bom que o post ajudou. A verdade é que a gente permite que algumas situações ruins cresçam ou que palavras ruins sejam ditas. Se as dizemos, é ruim. Se as ouvimos, damos importância que não devemos dar, pq elas passam. Só que o tempo tb passa e quando vimos, já acabou. Estou com pena de meu fim de semana ter acabado... rsrsrs... Mas outros virão e quem sabe comigo mais aberta às coisas boas que a companhia de quem gostamos, proporciona...
      E quanto ao pedido do filhote, volte atrás! Acho que dá tempo...
      Beijo!!!!

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  2. Amei...foi uma ótima chamada à realidade... Beijão.

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  3. Patricia, recebo pela primeira vez seu blog, adorei!!!!!!!!!!!!!!
    Vc tem toda razão , olha só que paisagem linda vc tem do seu escritório, fiquei aqui imaginando o cheiro da terra molhadempo que quando chove, hummmmmmmm que delicia. Tbém "acordei" para o tempo que deixamos de curtir com nossas crianças , amigos, porque o amanhã ah o amanhã já passou.
    Por favor envie para meu email seus contatos
    sulacouto@uol.com.br
    Bjs, Suely Couto

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